domingo, 13 de janeiro de 2013

Meio ano!!!

Meu bebê...

Hoje você faz 6 meses de vida.
E eu te amo tanto.
Te amo desde o segundo que soube da sua existência, quando você era só duas listrinhas num pedaço de papel.
Te amo desde o primeiro ultrassom, quando você era do tamanho de um gergelim.
Te amo desde o segundo que te tiraram de mim, e eu te vi: perfeita, linda, chorando bem forte.

Meu bebê, nós já passamos por tanta coisa em tão pouco tempo!
E eu te amei cada momento. Desde o início... em cada enjôo, em cada mal estar. Em cada chute na costela, em cada segundo daquelas 26h horas de dor.
Mesmo nas noites mal dormidas (e foram muitas), mesmo nas horas intermináveis de choro - de nós duas: suas, de dor, minhas, da impotência em te ajudar.
Aliás, haja choro, hein?
Como eu chorei quando saímos do hospital. Sentada na cadeira de rodas, com você enroladinha nos meus braços, naquele dia gelado e chuvoso, enquanto esperávamos seu pai.
Naquela madrugada em que seu cordão finalmente caiu, e de repente me dei conta que aquilo que nos ligou intimamente durante tantos meses tinha sumido.
Mas tudo bem. Nós ainda estávamos ligadas pelas tantas horas em que você mamava.
Até hoje. Hoje eu abro um pouco o espaço. Deixo de ser sua única fonte de alimentação e vamos lá, começar a comer, experimentar novos sabores, começar a ter preferências. Sim, eu sei que ainda por um bom tempo vou ser sua principal fonte de alimentação, e o serei como tenho sido até hoje: feliz e à vontade, te acalentando nos meus braços por quanto tempo quiseres.

Então vamos lá, meu amor.
Mudando nossa vida, com pequenas conquistas, dando pequenos passos de bebê, como os que você dará em breve.
Eu te amo sempre, cada minuto.
Parabéns pelo meio ano, Aurora das nossas vidas.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Do marido, pra filhota:

"Filhinha, faz assim. Um bracinho do lado de cá do pescoço, o outro do lado de lá. Agora aperta.
Viu? Isso é um abraço. Viu como é gostoso?"

♥ ♥ ♥

domingo, 25 de novembro de 2012

Relato de parto e Porque a Violência Obstétrica é uma Infeliz Realidade Brasileira

É engraçado como você pode ser tão inteligente, esclarecida, ter pesquisado a gravidez inteira, estar totalmente convicta de algo... e na hora mais importante, não conseguir reagir.
Foi assim comigo.
E é assim que começa a história do nascimento da minha filha, e minha história de violência obstétrica*.

Poucos sabem, mas nós passamos um ano tentando engravidar. Por um ano, todos os meses, minha menstruação irregular nos dava esperanças - e lá ia eu, fazer xixi no teste e ver um único risquinho.
Até aquele 15 de novembro, na noite dos dois risquinhos.

Foi depois de toda a euforia que comecei a pesquisar sobre a gravidez e o parto.
Desde sempre tive a convicção de ter um parto normal. Nunca acreditei no blá blá blá "cesárea é melhor, você não sente dor". Exemplo vem de casa, certo? E minha mãe passou a vida inteira contando como sofreu 30 inacreditáveis horas pro parto da minha irmã, e como no meu foi rápido e por pouco não nasci no hall de entrada do hospital.

E então pesquisei, pesquisei muito. Já tinha ouvido falar como hoje em dia a maioria dos médicos opta pela rapidez, facilidade e conveniência (deles) da cirurgia. E então encontrei uma médica.
Muito legal, desde o início dando apoio ao parto normal, com um único porém: na data prevista para o parto, ela estaria de férias. Nos deixou à vontade para escolher outro profissional, pois havia a possibilidade dela não estar presente. Resolvemos assumir o risco - se o bebê resolvesse adiantar ou atrasar, teríamos a sorte de sermos atendidas por ela. Caso não fosse possível, seu sócio assumiria a função.

Pois é, não demos sorte.
Fomos conhecer o médico no dia 12. Ele já estava ciente do caso, fez aquela consultinha de rotina, perguntou como estava, examinou... o tampão havia soltado no dia anterior, mas ele mesmo garantiu que poderia demorar bastante tempo. Não havia dilatação.

Poucas horas após essa consulta, comecei a sentir contrações.
Comentei com o marido, e ficamos naquela expectativa boa: se fosse realmente o trabalho de parto, ela nasceria em uma data mágica para nós: na sexta-feira 13 de julho. Mágica porque um ano e meio antes, quando ele pediu minha mão, escolhemos essa data para nosso casamento.

Ainda assim, ficamos naquela dúvida... afinal, havíamos acabado de sair da consulta, não havia dilatação e já tínhamos tido um alarme falso duas semanas antes.
Fomos para casa, não contamos a ninguém nossas suspeitas.
Lá pelas 19h a dor começou a apertar. Tomei um banho bem demorado, monitorei as contrações... mas tudo ainda estava muito irregular. Um pouco enjoada pela dor, comi pouco e tentei dormir.
Tirei pequenos cochilos de meia hora até umas 3h da madrugada. Aí a dor começou a aumentar. Lembro que fiquei sentada na cama, no escuro, olhando para o relógio e monitorando. Agora as contrações estavam certinhas há mais de 2h, de 11 em 11min. Tomei mais um banho demorado, andei pela casa... acordei o marido. Eram 7h da manhã.
Da manhã de sexta-feira, do nosso rodízio.

Durante a gravidez, brincávamos que nossa bebê logicamente iria escolher o pior dia possível - uma sexta-feira cheia, bem no horário do rodízio, para nos deixar neuróticos com medo dela nascer em casa ou no trânsito... Mas ela se comportou bem e, apesar das dores aumentando progressivamente, eu estava calma e feliz. Sem conseguir respirar durante as contrações, mas feliz.
Ás 10h em ponto, entramos no carro e fomos pro hospital. Com paradinhas sistêmicas a cada contração, é claro.

Chegamos, aquela rotina: cardiotoco, exame de toque apontando 1,5cm de dilatação. Fui internada e começou a farra! Avisei meio mundo pelo Facebook, marido mandou mensagem pro resto do mundo e ficamos lá, assistindo ao especial do Dia do Rock pela MTV.
E então a dor começou a apertar de verdade.
Rapidinho as contrações pularam para 5 em 5min. Eu andava pelo quarto com a ajuda do maridão apavorado, mas mal conseguia ficar em pé a cada nova contração, cada vez mais forte. Ainda assim, depois dos intermináveis 45s de dor, eu brincava com o futuro papai: "é incrível. assim que a dor passa, não sinto absolutamente nada e o mundo volta a ficar bonito". E assim foi por algumas horas.
Esporadicamente, alguma enfermeira vinha perguntar como estava, dizia que estava mantendo o médico atualizado por telefone e fazia o exame de toque. Aqui entra o parênteses: meu útero é retrovertido, ou seja, ao invés de ser inclinado para a frente, como seria o normal, ele é inclinado para trás. Isso não prejudica em absolutamente nada, exceto na hora do maldito exame. Por estar localizado de forma diferente, é mais difícil alcançá-lo. A dor é absurda. Era o único momento (até então), em que me agarrava na cama e gritava de dor.

Foi então, lá pelas 17h, depois de ser examinada mais uma vez, que viram que a dilatação não estava evoluindo. Apesar das contrações terem se tornado mais frequentes, continuava com os míseros 1,5cm. E então o querido médico teve a brilhante idéia de... quem adivinha??? Isso mesmo. Induzir.

E foi assim que meu trabalho de parto, que estava indo bem, foi pro escambau.
Não existem palavras pra descrever como a dor é absurda.
Lembram que eu disse que até então estava calma, serena, apenas me concentrando a cada contração? Pois é, esquece.
Agora, com a ajuda da nossa querida ocitocina, eu gritava. Não, gritar não exemplifica bem. Eu urrava de dor - e apavorava cada vez mais o maridão Tinha certeza, a cada maldita contração forçada (que agora vinham a cada 2 minutos e duravam 1,5min), que o hospital inteiro ouvia meus gritos.
Ainda assim, naquele momento, acreditava que isso era o esperado. Que apesar daquela dor absurda, era para o meu bem, o trabalho de parto ia evoluir, a dilatação ia aumentar e logo logo nossa filha estaria em meus braços.

Depois de 2h de ocitocina na veia, comecei a vomitar de dor. Suspenderam a medicação e lá veio um novo exame de toque: 2cm.
Foram duas horas da pior dor que senti na vida para dilatar meio centímetro. Não consigo explicar a frustração quando soube disso.
Foi nesse momento que o GO chegou ao hospital. Já atualizado da situação, veio com a salvadora idéia da cesárea. É claro que aceitei no mesmo segundo.
Estava exausta, fragilizada, não parava de vomitar, com dores horríveis, frustrada... afinal, já faziam 26h do início do trabalho de parto e eu, naquele momento, só conseguia pensar que se depois de tudo isso tinha dilatado apenas 2cm, quanto tempo mais demoraria para chegar aos benditos 10cm?

Pois bem, disse sim à cesárea. Nesse momento, começou a correria.
O futuro papai foi levado por uma enfermeira para se paramentar e eu me vi pela primeira vez, sozinha. Fiquei alguns segundos paralisada, digerindo todo o turbilhão de sentimentos e informações: a demora, a frustração pelo fracasso do parto normal, o medo da cirurgia iminente e o principal: em poucos minutos eu me tornaria MÃE.
Nesse espaço de tempo em que meu coração e meu cérebro davam um nó, uma enfermeira nada delicada, me vendo abobalhadamente parada no meio quarto, falou: "ué, tá parada porquê? Vamos, vamos, não quer ver logo seu bebê?". Não tive reação de mandá-la praquele lugar, que era bem o que merecia. Apenas sacudi a cabeça, balbuciei alguma coisa e outra enfermeira, muito mais humana, me abraçou e encaminhou ao centro cirúrgico.

A equipe toda me esperava, e explicaram o procedimento de anestesia. Com a chegada de mais uma contração, tive outra crise de vômitos, já deitada na maca. Enquanto vomitava e me contorcia pelo mal estar e as dores das contrações, ouvia os comentários irritados.
"Será que é muito difícil trazer o anestésico com rapidez?"
"O pessoal tá meio lento hoje."
"Dá pra ver mesmo que é sexta-feira 13, tá tudo dando errado"
"E o pai, tá onde? Porque ainda não o trouxeram?"


Finalmente, a anestesia chegou. Eu já estava fraca e tonta pelo esforço em vomitar, e precisei ser levantada pela equipe, para a aplicação da raquianestesia. Pouco depois disso, meu marido entrou. Sentado ao meu lado, segurava minha mão, beijava meu rosto e me dizia palavras doces, que foram de grandíssima ajuda quando comecei a ter uma reação. Sentia frio digno de inverno gaúcho, e tremia compulsivamente. Sentia meu corpo inteiro se debatendo, e juro que nesse momento tive um medo bobo de, devido à tremedeira, o médico cortar algo que não deveria. A anestesista nos acalmou, dizendo que essa reação era comum, e que passaria logo.

Começaram as incisões.
Cabe aqui um apêndice: nunca imaginei como é estranha a sensação. a anestesia tira completamente sua sensibilidade à dor, mas ainda é possível sentir tudo - o bisturi na pele, os puxões dos músculos para abrir espaço... é algo que nunca esquecerei.

E então ela nasceu.
Nossa tão desejada e esperada filhota veio ao mundo, naquela sexta-feira 13 tão especial, às 20h02. Linda, rosada, grande... Com pesadinhos 3,615kg e 49cm, era pura bochechas. Pude vê-la ao longe, e logo foi levada para todos aqueles procedimentos de rotina que, hoje, jamais teria permitido.
A ouvi chorar ao longe, sozinha (o pai estava junto com ela, esse sortudo), enquanto era costurada. Depois de minutos intermináveis, ela foi trazida pelo pai, já limpinha e aquecida. Eu não conseguia dizer uma palavra. A sensação de tê-la ao meu lado foi tão incrível que não consegui emitir um único som. Não pude dizer o quão linda e perfeita ela era, o quanto eu a amei desde aqueles 2 risquinhos no xixi. Só conseguia olhá-la e admirá-la. Mal consegui olhar para a câmera, para aquela primeira foto em família.



E então ela foi levada ao berçário.
Depois de tê-la em mim por quase 40 semanas, ela foi embora mais uma vez.
E eu fiquei sozinha.
Sozinha, sonhando quão maravilhosa ela era, digerindo como minha vida tinha mudado em pouco mais de um dia, pensando se demoraria muito para finalmente tê-la em meus braços.
Mas nem deu pra divagar muito.
A conversa entre o GO e o plantonista, enquanto me costuravam, estava atrapalhando meu sonhar acordada. No meio da minha barriga aberta, eles conversavam animadamente sobre a praia, sobre onde cada um havia feito faculdade, sobre o final de semana... tive ganas de mandá-los calar a boca, porra!, eu havia me tornado mãe e essa conversa fútil estava acabando com meu momento tão especial. Mas essa educação que mamãe me deu falou mais forte e me calei.

Costurada, insensível e separada da minha filha, fui encaminhada à sala de observação, onde ficaria mais uma vez sozinha, por duas intermináveis horas, até o efeito da anestesia passar e ser encaminhada ao quarto.
Eu só conseguia pensar na minha filha.
Perguntei mil vezes à enfermeira quanto tempo ficaria ali, que horas eram, se não podiam me trazer minha bebê, ou ao menos falar com meu marido. Não, não podia. Fui incentivada a dormir e descansar - mas quem consegue? Tudo que queria era vê-la de verdade, sentir seu cheirinho, segurá-la...
Ainda faltava 1h30 para ser liberada. Eu precisava contar o tempo de alguma forma. 90 minutos são 10 vezes a música Faroeste Caboclo. Sim, em plena sala de observação, mentalmente cantava a música do Legião.
Na nona cantoria não aguentei mais e perguntei outra vez se "faltava muito". Acho que a enfermeira já não me aguentava mais e "tá bom, tá bom, vou chamar alguém pra te levar pro quarto".

Na minha fantasia perfeita, chegaria no quarto e meus familiares e amigos e, principalmente minha bebê estariam lá, me esperando. Rá, até parece. Tudo vazio e escuro, até hoje não sei onde andava todo mundo. Ao menos, uns 20 minutos depois disso, minha mãe, a madrinha e padrinho apareceram para me fazer companhia e esperar para me ver segurar minha filha pela primeira vez.

Esse momento não chegava nunca.
Muito além das 23h, finalmente ouvi um choro forte se aproximando: era ela!!!!
Chegou junto com o pai e, enfim, depois de intermináveis três horas do nascimento, pude segurá-la. Toda perfeitinha na roupa que havia escolhido para ela, toda rosadinha, parou de chorar no instante em que se sentiu no meu colo.
Minha filha.
Minha Aurora, finalmente em meus braços.



...

* A violência obstétrica é uma triste realidade brasileira.
Hoje, 25 de novembro, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra Mulheres, o videodocumentário abaixo está sendo divulgado em todas as mídias sociais para chamar atenção sobre esse triste fato.


“VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS”
,  representa o trabalho de dezenas de mulheres na luta contra a violência obstétrica. Com a voz de algumas delas, simbolizamos o coro de milhares de brasileiras que vivem desrespeitos aos seus direitos reprodutivos cotidianamente, em um processo tornado banal e rotineiro. Queremos ser representadas, queremos que nossas vozes sejam ouvidas e que, de alguma forma, impulsionem medidas que visem a erradicação da violenta assistência ao parto no Brasil.


Para saber mais sobre, conheça os blogs Cientista Que Virou Mãe e Parto no Brasil.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

E como são as noites?

Uma das grandes perguntas da maternidade é a fatídica "mas ela dorme bem?".
Sim, ela dorme bem. Desde que iniciamos a cama compartilhada.
Não, nem eu e nem o pai nunca rolamos para cima dela.
Sim, no início foi difícil acostumar com a bebê entre nós - unicamente pela nossa ignorância do medo natural de dormir muito pesado e acontecer algum acidente.

No início não queríamos. Tínhamos todos aqueles pré-conceitos que não dormiríamos bem, que faria mal e blablabla. Olha, tenho a dizer que muitíssimo pelo contrário.
Nas primeiras semaninhas de vida dela, ela dormia no berço.
E era horrível.
Como boa recém nascida esfomeada, acordava a cada 2 ou 3h. Mamava e dormia no meu colo. Mas no instante que a colocava no berço, acordava. Chorava e demorava bons 40 minutos para dormir de novo. E, mais uma vez, acordava no instante que ia para o berço.
Sim, tentamos todos os "truques" imagináveis para que ela dormisse sozinha. Cobertor entre o colchão e o bebê. Aquecer o berço. Enrolar o bebê no cueiro. Nada, nada adiantou. Quando conseguíamos deixá-la no berço, era por pouquíssimo tempo... cerca de 1h - e começava tudo outra vez.

Depois de 2 semanas de exaustão, nos rendemos. A colocamos entre nós. Na primeira semana dormi mal, muito mal - ainda tinha todos os medos.
Sim, papai também participa!
Então fui pesquisar o que era a tal da cama compartilhada.
Li inúmeros, inimagináveis artigos e pesquisas, em todas as línguas que conheço.
E então relaxei.
Porque fez sentido.
Porque entendi que o anti-natural é colocar um bebê que passou seus 9 meses quentinho junto à sua mamãe, de um dia para o outro, longe dela.

Hoje ela não chega a despertar completamente para as mamadas noturnas. Ainda de olhos fechados, começa a se mexer (por mexer entenda-se me chutar enlouquecidamente :P ), e eu a alimento. Ali, deitadinhas uma ao lado da outra. Ela mama, fica satisfeita e sequer desperta. Da minha parte, não preciso levantar, pegá-la no colo, me manter acordada e (inteiramente) consciente.
Fazemos desse ato algo instintivo. Nunca dormimos tão bem!

Ela tem apenas 3 meses, e como boa mãe ansiosa que sou, já sofro por antecipação quando ela for grandinha e quiser ser independente e ter sua própria cama...

...

Sobre a Cama Compartilhada:
Não tenha medo de dormir junto
10 razões para adotar a cama compartilhada
Soluções para Noites sem Sono
Estudo pelo Departamento de Neurologia - Califórnia
Cosleeping.org

Ou se joga no Google, menina!

sábado, 20 de outubro de 2012

E então ela completou 3 meses dia 13, e nós estávamos agradecendo a todas as entidades que as cólicas sumiram.
Mas como o universo é troll com todas as mães, adivinha se não apareceu novidade??

Há umas 3 semanas que o pai comentava todo santo dia que achava que os dentinhos dela estavam nascendo. E eu, mamãe sabe-tudo, o chamando de louco, ondeéquejáseviu, um bebê tão novo com dentes. Pfe, ainda faltam bons meses, eu dizia.
E ele me olhando com aquela cara de tô louco nada, você vai ver.

Rá.
Essa semana, no meio de um ataque de choro, com a boca escancarada, aproveito pra olhar e veja só! risquinho branco todo brilhante na gengiva.

Gente do céu, que delícia e que purgatório.
Ver sua bebê virando criança grande, com dente. Evoluindo, crescendo. Mais duas piscadas e ela vai estar brigando comigo que quer voltar tarde da balada, vai vendo.
E pelamor, que coisa horrível. Que babação. Que dor nos meus pobres peitos, que viraram mordedor - já que ela ainda é muito pequena e não consegue segurar o mordedor e levar à boca.

Mas vambora.
Que nesse passo, semana que vem eu volto aqui pra dizer que ela tá engatinhando. o.O

domingo, 14 de outubro de 2012

Ah, o cansaço...

Ontem ela completou seus 3 meses de vida e, com isso, deixou de ser uma recém nascida - agora é "só" uma bebê.
E como faço sempre, me pus a lembrar de tudo. E vi que eu, que pensava que ter passado 26 horas em trabalho de parto tinha sido cansativo o bastante, realmente sou mãe de primeira viagem e não tinha idéia do que me esperava.

Ela é uma bebê linda. Saudável, simpática. E ativa. MUITO ativa.
Com esses recém completados 3 meses e o fim das cólicas eu, ingenuamente, achei que teria algum descanso.
E é claro que o cuspe caiu na cara, como sempre.

Nas últimas semanas (ok, último mês, pelo menos) ela anda exigindo cada vez mais de nós. De mim, especialmente. Desde seu primeiro mês que ela decidiu que mamar de 3h em 3h é muito pouco, e exige peito de hora em hora. Com muita sorte, tinha um descanso de duas horas.
Sonecas são apenas isso: sonecas. Coisa de 30/40 minutos no máximo.

Então, nessa última semana, acho que para comemorar que deixou de ser uma bebezinha, ela decidiu que sonecas de 40 minutos são longas demais, que o dia é muito gostoso pra desperdiçar dormindo. Agora, 20 minutinhos são suficientes para recuperar as energias e acordar toda sorridente e serelepe.
Como dorme pouco, é claro que tem mais fome - agora as mamadas são de 45/45 minutos, e um peito por vez não sacia: pela primeira vez, ela começou a exigir os dois peitos por mamada, e sem vomitar tudo depois!

Como se não bastasse mamar a cada máximo de uma hora e fazer sonecas-relâmpago, no tempo que passa acordada, dificilmente aceita outro colo que não o meu. Até fica algum tempo com o pai ou os avós, mas rapidinho começa a ficar enjoada e exije meus braços. Vou nem fazê-los imaginar como anda o estado de caos completo na minha casa.

Cansaço, teu nome é Mãe.

Mas quem disse que não vale a pena??

Na fila do mercado...

- Que bebê lindo! Qual a idade dele??
- ELA vai fazer 3 meses essa semana.
- É uma menina?!? Mas tá de azul!!!
- E eu estou de verde e nem por isso sou uma árvore.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ah, esses pais!

21:00 - Mor, olha que lindo esse pijaminha pra bebê essa noite! Vou deixar aqui na cômoda, assim quando sair do banho já tá à mão, ok?
"ótimo, pode deixar!"

21:20 - Meu bem, não esquece de jogar esse body vermelho no cesto, porque ela gorfou e tá sujinho...
"tranquilo!"

21:30 - ãhm... porque ela tá com esse body e não com o pijama??
"ué, mas tá limpo, reaproveitei! E não vi nenhuma roupa separada..."

...

Filha, eu amo que você tenha puxado os olhos e a doçura do papai, mas pelamor da minha sanidade, diz que não puxou o déficit de atenção, diz???

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sobre o desapego

Nunca fui do tipo apegada.

Apegada a coisas, digo. Há alguns bons anos, coincidindo com a saída de baixo da asa dos meus pais, e com esse traço cigano de viver me mudando, exercitei ainda mais o desapego. Hoje em dia faço aquela limpa ao menos uma vez no ano. Tiro tudo sem dó: roupas velhas demais, coisas que não uso, o que não combina mais comigo, o que não serve... e acho ótimo. Desocupa lugar no meu minúsculo guarda-roupa e me dá praticidade na hora de escolher.

E então chegou a hora de reorganizar as roupinhas dela.
Com quase 3 meses, bons quilos a mais e a mudança de estação, algumas roupas não servem mais ou sequer são adequadas a esse calor senegalês que faz por aqui.
E pela primeira vez nesses muitos anos, bateu aquela dorzinha de me desfazer de uns pedaços de tecido.
Peguei cada macacãozinho e lembrei da primeira vez que usou cada um. E de alguns, até, que sequer usou.
E então cheguei nas roupinhas ganhas por amigos.
Por aqueles amigos tão queridos, que se alegraram desde a notícia da gravidez, que vibraram a cada ultrassom, que participaram do chá de bebê, que acompanharam todo o "drama" do parto.

E então eu estava lá, separando.
Naquele momento difícil do "entrego pra doação ou guardo como lembrança?", num desses pouquíssimos momentos da vida que me vi indecisa.

E então, veio a luz.
Sim, eu amei cada um daqueles presentes. Guardo aqui na minha memória, em algumas fotos e no meu coração o momentinho que ela usou cada uma, e como ficou linda com todas.
Guardo comigo o amor dos nossos amigos ao dispensar tempo em ir a uma loja, escolher algo que tivesse a nossa cara e nos presentear. Esse amor tão grande que nos cerca.
E me dei conta que não estou me desfazendo desse amor junto com as roupas.
Porque amor não se desfaz. Ele vai e ao mesmo tempo fica aqui.
Fica conosco na forma das lembranças.
Vai um pouco entranhado nos fios de cada roupinha.

Essa doação vai para um orfanato.
Encontrar crianças que infelizmente não tiveram a sorte de nascer em uma família tão amorosa como a nossa.
Que uma parte desse amor chegue até elas e aqueça não só seus corpinhos, mas também seus pequenos corações.

Pequenina, com 1 dia de vida, em uma das roupinhas ganhas por um queridíssimo amigo, que vai lá espalhar amor 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Síndrome do pitaco


Você engravida e acha que o maior desafio em ter um filho será:

- educar esse serzinho;
- todo o processo da gravidez/parto/amamentação;
- $u$tentar a família;
- manter o relacionamento homem-mulher.

Meu bem, sinto te informar, que issaê a gente tira de letra. O maior desafio ao ter um bebê é... manter a sanidade com as "bem intencionadas" opiniões alheias.

Porque mais certo do que a certeza que você vai amar aquela coisinha enrugada, babona e chorona, é que o mundo se sente no direito de te dar dicas.
Valiosíssimas, claro.
Com o carimbo experiente da mãe da avó da tia do namorado da secretária do leiteiro que mora lá em Liechtenstein.

Essa é a bendita roupinha preta que "fica feia em bebê"
"Não pode deixar o neném dormir na mesma cama que vocês, ele nunca mais vai sair de lá"

"Ah, isso aí é manha, deixa chorar que no máximo em meia hora ela pára"

"Afe, esse negócio de sling é ridículo. Entorta a coluna do bebê e deixa a criança dependente da mãe"

"Pra quê amamentar, se o pediatra falou que dar NAN é melhor que o leite materno?"

"Ai, mas ela é menina, colocar roupa preta fica feio, só pode usar rosa"

"Ela chora demais. Dá chupeta que isso passa"

"Tá com cólica? Dá um cházinho/ remédio/ deitadebarrigaprabaixo/ fazshantala/ deixachorar"

"Que absurdo! Você já sai com ela na rua? Eu não deixo bebê sair de casa antes de completar 6 meses"

"Nooooooossa, mas vai sair assim só de body? não vai levar uma mantinha? Eu sei que tá fazendo 37º, mas vai que esfria?"

...

Minha teoria é que as pessoas se vingam.
90% dos pitacos que recebi até hoje são de pessoas que já tiveram filhos. Então, a única teoria possível em minha mente é a vingança. Porque eles já passaram por tudo isso. Sabem como é irritante dar conselhos que você não pediu. Sabem como essas opiniões são inúteis.
Então só pode ser vingança.
Só pode.

Agora vou ali preparar um cházinho de camomila.
Não, não pra bebê. Pra mim.
porque sóc om muito calmante no sangue pra não surtar!


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Explosão de fofura

Então foi assim.
Com exatos 2 meses e 10 dias, que ela deu a primeira risada.
Não o primeiro sorriso, que esse já nasceu sabendo, tão deliciosamente feliz que é.
A primeira risada, com direito a boca desdentada aberta e "hehehe".

O pai estava trocando a fralda. AQUELA fralda, sabe como? No capricho, quando não há barreira protetora que dê conta, vaza pra todo lado e a roupinha inteira fica manchada.
Eu estava ao lado, peguei a roupa para jogar no cesto, e pá! coloquei a mão direto na parte suja. Virei para tentar pegar numa parte limpa e pá! suja também. O pai olhou e riu, e eu soltei um "ahhhh, que nojinho!".

E foi assim. Foi nesse momentinho, tirando sarro da mãe suja de cocô, que ela deu risada.


A primeira risada.
E foi tão incrivelmente mágico, ver essa nossa coisinha gordinha e branquela, virando um projetinho de gente. Achando graça das coisas. Entendendo uma besteira e rindo. Rindo!

E foi tão mágico esse momento ter acontecido justamente quando estávamos reunidos.
Reunidos como a família que somos.
Como a família que nos tornamos, naquela sexta-feira 13.

Naquela sexta-feira 13 que nosso gergelim nasceu.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Bobeiras de grávida

Que grávida é um bichinho besta, todo mundo tá cansado de saber.
Que eu seria uma grávida besta, é algo que me pegou muito de surpresa.

Aí outro dia me dei conta de uma "coincidência" dessas bobinhas, mas que abriu um sorrisão em mim.
Vambora.

Eu nasci no dia 25 (desse mês, aliás. Presentes sempre são bem vindos). Desde o início do pré-natal, o médico disse que a data provável do parto seria esse dia.
Pois bem. Passam-se os meses, chega o dia 24, minha mãe volta ao médico. Ele a examina e diz "ih, pode voltar tranquila pra casa, porque vai demorar pelo menos umas 2 semanas". Ela volta. Vida segue normalmente, e ela resolve dar uma escapadinha e comer cachorro-quente à noite.

Acorda na madrugada do dia 25, sentindo dores, com a certeza que o cachorro-quente tinha caído mal... mas não, era o trabalho de parto*.

...

Eu descobri a gravidez no dia 15.
Poucas horas depois de comer um cachorro quente.
:)


* Daí vocês começam a entender minha neura com pontualidade, certo? Pô, médico fala desde o começo que é dia tal, chega na véspera e adia? Ah vá. Já tinha preparado a malinha, dotô!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A primeira surpresa

Setembro passado.
Havíamos parado de nos preocupar.
Estávamos tentando há mais de 1 ano e na última decepção ficamos desiludidos. Tristes.
Eu estava com muito sono e preguiça, jogado na cama, nos pés. Ela estava na cabeceira, usando o notebook e com o teste, logo ao lado, esperando pelo resultado.
Negativo, claro.
Uns dias depois houve a confirmação - como se precisasse. Mas no fundo sempre havia uma esperança.
No mês seguinte,  não houve a preocupação em tentar. Apenas continuamos a não usar métodos contraceptivos.

15 de novembro, feriado.
E o dia foi incrível. Estávamos sorridentes, felizes, fazíamos gracinhas...
No carro ela comentou que ainda não tinha menstruado. Também notei, mas na minha cabeça era para ser próximo do dia 20. Aí ela comentou que o ciclo é de 35 dias. Fiquei com uma ? na cabeça, mas ok. Sou homem. Entendi que é fora do comum e já basta.
Pensamos se comprávamos um teste, enrolamos, e já perto da farmácia resolvi encostar - o último de vários que compramos.
Fomos para casa.
Ela entrou e eu fiquei vendo detalhes no carro.
Poucos minutos depois entrei em casa e lá vem ela correndo na minha direção e com o teste. Olhei para aquilo e perguntei: "o que é isso?"
"Duas listrinhas!!!!"
Tico e teco parou, dei uma levantada na sobrancelha, notei o sorrisão, os olhos vermelhos e brilhantes, e aí sim...
Gergelim deu o ar de sua graça!

Essa foi a primeira surpresa. Impossível descrever quão boa foi a sensação.